O Corinthians começou mal em 2014, mas dá sinais de vida com duas vitórias seguidas, mostra um futebol mais convincente e animar a torcida aos poucos. A reação em curso já poderia ser, por si só, um motivo para apostar em Mano Menezes, mas existem outros.
Confira, na lista abaixo, os cinco indícios elencados pelo UOL Esporte de que o técnico pode convencer em sua segunda passagem pelo clube do Parque São Jorge.
Poder de reformulação de elenco
Mano Menezes costuma ter voz ativa nas contratações dos clubes em que atua. A primeira passagem do treinador pelo Corinthians é uma prova disso. Dessa vez, novamente, cabe a ele o papel de remontar o elenco.
O Corinthians atual precisa refazer o grupo que ganhou o Mundial de Clubes em 2012. Mário Gobbi, presidente do clube, já disse que a aposta em Mano tem muito a ver com essa qualidade do treinador.
Na visão da diretoria, ele cumpriu um papel importante para o Corinthians campeão de Tite. Foi na gestão de Mano que chegaram jogadores como Alessandro, Paulo André, Chicão, Paulinho, Ralf, Danilo e Jorge Henrique, sete dos 11 titulares da conquista contra o Chelsea.
A expectativa é de que, desta vez, ele consiga cumprir esse papel novamente. Em pouco tempo, o Corinthians já ajustou seu perfil de contratações. Saem os reforços de peso (Gil, Renato Augusto e Alexandre Pato) e voltam as apostas (Luciano, Bruno Henrique e Uendel) e os conhecidos que estão em baixa (Jadson e Fagner).
Experiência após tropeços
Mano deixou o Corinthians em 2010 aclamado pela torcida e foi para a seleção brasileira. A partir dali, tudo deu errado. O projeto para a Copa naufragou, ele sofreu duras críticas no processo e teve de recomeçar no Flamengo.
Em poucos meses, viu a história se repetir, e sua imagem ficar ainda mais abalada. A saída estranha da Gávea, sob a alegação de que não conseguiu passar seus conceitos ao grupo rubro-negro, transformou o técnico em um alvo ainda mais fácil para os críticos.
Para quem teve uma ascensão meteórica, Mano sofreu bastante com a fase ruim. Agora, em um recomeço no Corinthians, ele dá alguns indícios de que aprendeu com o que aconteceu, como mostra o item seguinte.
Relação mais amigável
Mano voltou ao Corinthians mais amigável. O treinador, é verdade, nunca teve um perfil mais irritadiço como o de Muricy Ramalho, por exemplo. Em seu retorno ao Corinthians, porém, ele foi especialmente mais dócil.
A mudança, acreditam aqueles que lidam de perto com o técnico, tem duas explicações. A primeira é a experiência adquirida com todos os percalços recentes na carreira. A segunda é a comparação ao estilo de Tite, que fez sucesso no clube sendo amigável e acolhedor.
Se não equipara o antecessor em simpatia, Mano faz a parte dele ao se apresentar sorridente, fazendo brincadeiras e convivendo bem com seus interlocutores. A postura pode não interferir diretamente no que acontece em campo, mas ajuda a melhorar o ambiente e sinaliza um cuidado especial com pequenos detalhes do trabalho que podem fazer diferença.
Demora para pegar no tranco é normal
A temporada atual não começou bem, mas reagir a um início claudicante não é uma novidade para o treinador. Antes de atingir a final da Libertadores de 2007 com o Grêmio, Mano sofreu até para classificar o time para a fase final da Série B, sem contar no drama da Batalha dos Aflitos.
Aos poucos, porém, ele foi acertando a equipe, que foi terceira colocada no Brasileiro de 2006, para depois dar um salto maior na competição continental. Depois, no Corinthians, o roteiro foi o mesmo.
Em seu primeiro torneio pelo clube do Parque São Jorge, Mano não conseguiu levar a equipe além de um quinto lugar no Paulista de 2008. Fora das semifinais, o treinador sofreu pressão, mas semanas depois levaria o time para a final da Copa do Brasil, mesmo estando na Série B.
Se dá bem com elencos ávidos por títulos
A reformulação em curso está mudando o perfil do elenco corintiano. Em 2013, o Corinthians tentava se manter no topo com um grupo experimentado e campeão. Agora, Mano reúne jovens que nunca conquistaram nada de peso, ou atletas mais rodadas que ainda têm algo a provar.
Essa sede por títulos é parecida com a que ele se deparou quando assumiu Grêmio e Corinthians na Série B. A construção desse perfil vencedor é algo tão forte no trabalho de Mano que até serve de atrativo para o mercado.
Quando decidiu mudar-se para o Corinthians, esse item foi uma das coisas que atraiu Jadson. Depois de naufragar em um São Paulo que reunia perfis bem distintos em seu elenco, o meia pode começar do zero, tentando reerguer um clube em um mau momento.
Fonte: UOL