Força física, chegadas firmes na marcação e expressão fechada. Essa é a receita de França para amedrontar os adversários. O volante admite que sua cara de mau intimida os adversários, mas faz questão de salientar que não é desleal.
– Dentro de campo, qualquer jogador se transforma. Sou aguerrido mesmo, corro por todo mundo, mas fora de campo sou um cara tranquilo e brincalhão – apresentou-se, ao Lancenet.
O bauruense de 22 anos se prepara para disputar o que considera o maior clássico da carreira, domingo, contra o Corinthians, e tem recebido pedidos inusitados. Em suas fotos no Instagram, o apelo é unânime: ‘#QuebraORomarinho’. A última publicação tem mais de 300 comentários, quase todos com a hashtag, motivada pela fama de carrasco do atacante alvinegro: são quatro gols em três jogos contra o Palmeiras.
– Isso é coisa de torcida. Não existe quebrar o adversário, por mais que seja rival. Se você chegar forte e com seriedade, mas sem maldade, as coisas acontecem – ensina o camisa 28, que virou ídolo instantâneo de alguns fanáticos pelo estilo peculiar e conquistou a simpatia do grupo.
Wesley o apelidou de ‘Gibi’ por causa das 25 tatuagens espalhadas pelo corpo. Uma delas, na mão esquerda, parece um recado aos atacantes rivais: ‘Tenta a sorte’.
França mostra força ao posar para o Lancenet (Foto: Eduardo Viana)
– Quando a marcação é forte mesmo, o adversário já sente e fala: ‘Ixi, vou devagar porque vai ser difícil’. E a cara feia também, né? Eu fecho a cara e não dou risada – brincou.
França já planeja utilizar os serviços de seu tatuador, em Bauru, para ‘fechar’ a coxa direita. Supersticioso, ele avisa que não ficará com 26 tatuagens. Fará duas de uma vez, porque número par dá azar. E azar ele já teve de sobra na Alemanha…
Quando chegou ao Hannover (ALE), no início do ano passado, foi pivô de uma polêmica porque o técnico Mirko Slomka esperava um volante de 1,90m, e não de 1,81m. Depois, foi diagnosticado com tuberculose, ficou seis meses em tratamento e perdeu espaço, tendo completado apenas três amistosos pelo clube e nenhum duelo oficial.
– No começo, deu medo. Eu ficava em casa com o aquecedor ligado, tomava nove comprimidos… Mas estou curado – comemorou.
Hoje, a única preocupação é saber se será titular no domingo, o que não deve acontecer. Mesmo assim, ele curte a boa fase. Na paz.
Confira uma entrevista exclusiva com França:
Lancenet: Já conseguiu perceber o quanto o Dérbi é diferente para o torcedor?
França: Já vi nas ruas, minha família tem corintiano também… Eles já falam do clássico de domingo, falam para ir devagar. Domingo a gente vê como vai ser, tudo pode acontecer. Eles não estão vivendo uma fase muito boa, estamos um pouquinho acima. Espero que fique para fora esse negócio de briga.
Você já enfrentou o São Paulo. O Corinthians é mais rival?
Sim, com certeza, não tem comparação. Até pelas coisas que saem na internet… É coisa de outro mundo. Lá fora não tinha isso, era tudo mais calmo, aqui é fora do normal.
Já imaginou se marcar um gol como foi aquele contra o XV?
Acho que um gol feio, de canela, de joelho, no clássico fica bonito. O que vale é o gol. E os três pontos, claro.
Nessa boa fase, você chega a pensar na tuberculose do ano passado?
A tuberculose eu não quero lembrar, nem faz parte da minha vida. Fiquei um mês internado e pensei em parar, porque alguns médicos apontavam que eu poderia parar, que a mancha no pulmão estava grande. Tratei por seis meses e voltei sentindo cansaço ainda, mas hoje estou bem, graças a Deus.
Na Alemanha, o treinador mal te conhecia. Já o Kleina te indicou…
É um dos melhores treinadores que já peguei. Pelo jeito que trabalha, que fala, nos apoia… Ele me trouxe porque já me conhecia pelos jogos contra, confiou em mim.
Fonte: Lancenet