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‘Maloqueiro’, judoca canadense vira Timão e quer torcida da fiel no Mundial

Danilo Vieira Andrade

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Sasha Mehmedovic tem 28 anos, nasceu na Sérvia, mas luta pelo Canadá. Número 31 do ranking mundial da categoria até 66kg, o judoca chega ao Rio de Janeiro para o seu segundo Mundial na Cidade Maravilhosa como um azarão, e dificilmente brigará por medalha. Ele, porém, pode se gabar. Meio que sem querer, Sasha virou corintiano, e assim como o atual campeão mundial de clubes fez, quer surpreender os favoritos e beliscar um pódio no Ginásio do Maracanãzinho. A história aconteceu por acaso, mas agora Sasha faz questão de usar o destino como motivação. Passeando pela orla de São Conrado, no Rio, o canadense comprou uma camisa do Timão. Não pela histórico do clube, e sim por achá-la bonita. Sentiu-se bem nela, com o número sete de Pato às costas. Mal sabia o judoca que dali em diante ele passaria a ter do seu lado uma massa, fiel, maloqueira e sofredora, como ele mesmo já se sente.
– Eu estava passeando, vi a camisa e comprei porque achei bonita. Gostei da aparência dela. Acho que meu inconsciente me levou até ela. Não sabia de qual clube era. Vestiu bem e comprei. Sabia que era de um time de futebol do Brasil, mas não fazia ideia que era do Corinthians e muito menos que o time era campeão mundial. Espero que assim como o Corinthians fez, eu consiga o título de campeão mundial. Quem sabe não dá sorte? – diz Sasha durante o treino da delegação canadense no Instituto Reação, na Rocinha, comunidade da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Nesta sexta-feira, Sasha chegou ao instituto com a camisa do Corinthians. Já vestido com a calça do quimono, ele se preparou para a atividade, às vésperas do Mundial, com as cores do Timão. Sorridente, e sabendo do tamanho do clube, o canadense aproveitou para pedir a torcida dos paulistas para a pauleira que terá pela frente. Em 2007, ele foi o sétimo colocado na categoria até 66kg.
– Agora sou corintiano. Vai Corinthians! Sou maloqueiro, sofredor também. Peço a ajuda dos torcedores do Corinthians para buscar o título nesse Mundial. Quem sabe, com a torcida dos brasileiros, eu consiga uma medalha. Agora que conheço o time melhor, também serei um torcedor melhor – frisa o judoca, que em Londres 2012 acabou eliminado na segunda luta para Masashi Ebinuma, do Japão.
Fã do futebol brasileiro, Sasha conhece vários dos astros do país e acredita que o Brasil fará uma grande Copa do Mundo em 2014. Quando soube que Ronaldo terminou a carreira de jogador pelo Corinthians, Mehmedovic ficou ainda mais feliz.
– Claro que gosto de futebol. Estou animado para a Copa do Mundo em 2014. Acho que o Brasil vai fazer um ótimo trabalho. Conheço vários jogadores brasileiros, como Ronaldinho e outros famosos, como Ronaldo.

Começo no judô aos oito anos
Sasha nasceu em Pancevo, na Sérvia. Sua primeira experiência com o judô aconteceu aos oito anos, já no Canadá, quando se mudou em 1993 com os pais em busca de uma vida melhor. A influência no esporte é do pai, que era judoca na Sérvia. Em 1996, o atleta assistiu as Olimpíadas de Atlanta e passou a sonhar em participar dos Jogos. Estudante, ele pretende ser professor um dia. E se ainda não conseguiu brilhar no Mundial, no Canadá ele reina absoluto, com cinco medalhas em nacionais: dois ouros, duas pratas e um bronze. Ele ainda tem no currículo sete medalhas em etapas da Copa do Mundo e cinco medalhas do Pan-Americano de Judô.
O atleta também esteve nas Olimpíadas de Pequim, onde chegou nas quartas de final. O canadense pode estar no caminho dos brasileiros Charles Chibana e Luis Revite. E ele sabe que não terá moleza. Revite, por exemplo, venceu Sasha no Pan-Americano de Judô, na disputa por equipes, ajudando o Brasil a ficar com o ouro.
– Não vai ser fácil, a categoria é muito forte, com vários rivais pela frente, mas acredito no meu potencial. Conheço o Charles Chibana, é um grande atleta, um cara muito duro, e sei que se lutar com ele não será nada fácil. Também conheço o Revite e já lutei com ele – frisa Mehmedovic.
Quando voltou da segunda Olimpíada, Sasha perdeu sua bolsa de financiamento junto ao governo canadense. Para se manter como atleta de alto nível, ele passou a usar o “crowfunding”, forma que os atletas encontraram para buscar doações para seguir em atividade. Este ano, o canadense viajou até a Alemanha para uma competição após conseguir US$ 2.500 (quase R$ 6 mil) de doações pela internet.