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Bruno Mazziotti conta os bastidores da conquista da Libertadores 2012

Danilo Vieira Andrade

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Bruno Mazziotti conta como os jogadores estavam
focados em ganhar o título 
© Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Na contagem regressiva para celebrar o aniversário de um ano da conquista inédita – e invicta – da Copa Libertadores da América, o Sport Club Corinthians Paulista conta a história do título por quem esteve envolvido diretamente com a equipe, mas não atuou dentro das quatro linhas. Após mostrar dois torcedores que foram a Buenos Aires para acompanhar o primeiro jogo da final, o fisioterapeuta Bruno Mazziotti fala sobre o seu trabalho durante a semana decisiva e os bastidores da grande decisão contra o Boca Juniors. Confira:
Um gol que mostra o trabalho de um grupo inteiro, focado em um só objetivo. Fisioterapeuta do time de futebol profissional do Corinthians, Bruno Mazziotti estava no banco de reservas na histórica partida que deu o título inédito e invicto da Libertadores de 2012 à equipe alvinegra. Mesmo não entrando em campo, não é errado dizer que Bruno teve participação no primeiro gol que abriu o caminho para a conquista. Como? Ele mesmo explica. ‘No primeiro jogo, o Jorge Henrique saiu machucado no primeiro tempo. Tínhamos apenas uma semana para recuperá-lo e colocá-lo à disposição da comissão técnica. A volta dele era dada como quase improvável naquela situação’, relembrou.
‘Conseguimos recuperá-lo, e no segundo jogo, foi determinante porque o Jorge começa a jogada do primeiro gol, quando ele escora de cabeça para o Danilo dar o passe. Naquele momento, a gente sente que cada um contribuiu com a sua parte. Quando eu pude ver que o primeiro gol teve a participação direta do Jorge, realmente é gratificante para a gente que está ali nos bastidores dando todo esse apoio e esse alicerce para que eles possam entrar no campo. É como esse passe de cabeça tivesse sido feito pela gente. E é muito bom quando o atleta vem, reconhece, te dá um abraço e agradece. Para a gente, tem um sabor especial, porque a gente participa indiretamente disso tudo, vivencia cada emoção, cada frustração e cada momento de alegria’, explicou Bruno.
Sempre presente ao lado do elenco que conquistou a primeira Libertadores do Corinthians, o fisioterapeuta se lembra dos momentos que antecederam a final e do sentimento dos jogadores para aquela decisão. Segundo Bruno, não havia nem de longe qualquer tipo de temor. A expectativa era enorme, e o espírito era guerreiro. ‘Era uma batalha, realmente. No primeiro jogo, fomos para o reconhecimento do gramado da Bombonera, um dia antes da partida, e não vi nenhum jogador assustado. Vi a ansiedade de chegar logo a hora do jogo, de disputar aquela partida’, contou.
‘No Pacaembu, eu até comentei com o Jorge, falei ?Jorge, vai sentindo o jogo porque você está voltando hoje?. Ele respondeu “Bruno, nesse jogo, pode arrebentar a perna que eu não vou sair”. E esse era o sentimento de todos. Se sangrar, continua. Existia uma preocupação com a questão da catimba, de alguém se machucar, mas a ordem era deixar em campo até o fim’, falou Bruno, que, ao ver na expressão de cada jogador, tinha certeza de que a Taça Libertadores seria do Corinthians.
‘Você vê os olhos de cada jogador e percebe o sangue nos olhos, como costumam dizer aqui. Aí, percebe que para tirar aquele título, o Boca teria de se transformar em 22 jogadores naquele momento’, afirmou.
O espírito de luta também foi bastante importante para que os jogadores chegassem ao fim da Libertadores com o preparo físico no auge. Por ser uma competição de tiro curto, a demanda da intensidade dos jogos era maior, cada partida era importante para a campanha, desde o início. De acordo com Bruno, o apelo emocional pelo fato de ter sido uma briga por um título inédito também contribuiu para que o nível de disputa aumentasse. Esse sentimento fez com que os atletas pudessem reservar uma energia extra para o torneio, algo comprovado cientificamente.
‘Existe uma síndrome que a ciência explica, a Síndrome de Cannon, que é fuga ou luta. Essa síndrome de fuga ou luta é, na verdade, a situação em que você consegue demandar seus 30% de reserva em cima de situações como essas. Então, para cada jogo na Libertadores, a gente tinha certeza de que os jogadores usavam desses 30% sobressalentes para que pudessem chegar a um nível de intensidade tão alto, e aí terem vantagem física e emocional sobre os outros jogadores dos outros times’, falou o fisioterapeuta.
Quando este trabalho foi finalizado com a conquista tão sonhada, Bruno foi surpreendido com o primeiro abraço do técnico Tite, que o agradeceu e desceu rapidamente para os vestiários. Depois, o que o fisioterapeuta viu foi uma festa própria de cada integrante daquele grupo. A guerra estava, enfim, ganha.
‘Era cada um correndo para cada direção porque ninguém sabia para onde correr. O que fica marcado é você ver a alegria e a extenuação de todos os jogadores naquele momento. Foi como tirar um peso de muita carga. A corrente desatou o nó. Libertados’, finalizou.