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Carlitos Tevez, ídolo do Corinthians

Danilo Vieira Andrade

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Carlos Alberto Martínez, nome de batismo  de Carlos Alberto Tévez, também conhecido como Carlitos Tévez (Ciudadela, 5 de fevereiro de 1984), é um futebolista argentino que atua como atacante. Atualmente, joga pelo Manchester City.


Foi a principal contratação da MSI, que trouxera para o clube ainda seu compatriota Sebastián “Sebá” Domínguez e o meia Carlos Alberto, destaque da equipe portuguesa do Porto que no ano anterior conquistara a Liga dos Campeões da UEFA, além do Mundial Interclubes. Posteriormente, para treinar o clube, viria ainda um novo compatriota, Daniel Passarella. A parceria também traria Roger, Nilmar, Gustavo Nery e um dos grandes amigos de Tévez, Javier Mascherano. A vida conjugal de Carlitos também voltou aos eixos, com ele retomando o relacionamento com a ex-noiva, que dera à luz a sua filha Florencia. Após contratado, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, corintiano assumido, afirmou que não acreditaria que Tevez daria certo no Corinthians.

A identificação de Tévez com a torcida corintiana foi imediata, gerando um frenesi que chegou a ser comparado com o de ídolos como Sócrates, Neto e Marcelinho Carioca. Mesmo com o time demorando a engrenar, sendo eliminado no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, além de obter resultados ruins no Campeonato Brasileiro – Passarella caiu após uma derrota de 1 x 5 no clássico contra o São Paulo -, a mania em torno de Tévez só crescia entre os alvinegros. Não demorou a roubar o lugar e o número 10 de Gil, que acabaria negociado com o futebol japonês.


A disposição de Tévez em campo, lutando pela bola sem fugir das divididas, encantava os torcedores. Os mais entusiasmados não só adquiriam as camisas corintianas com o nome e número de Tévez (o caso de sete em cada dez camisas vendidas do clube), mas também as da Seleção Argentina de Futebol, além de adotar o chapéu de pescador que o ídolo costumava usar fora dos gramados. Até uma chupeta alusiva à filha Florencia tornou-se item muito usado.


Após tropeços nos clássicos contra São Paulo e Santos (o time de Robinho e Giovanni vencera por 4 x 2 na Vila Belmiro), o Corinthians conseguiu a liderança do Brasileirão ao final do primeiro turno. Contra o outro rival, o Palmeiras, Tévez teve seu melhor desempenho em clássicos, vencendo um dos jogos e marcando o gol de empate no outro deixando o celebrado zagueiro Carlos Gamarra no chão. A vingança contra o Santos veio com um implacável 7 x 1 no Pacaembu, com ele marcando três vezes.


Com o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, notório torcedor do Corinthians.


O quarto título brasileiro foi conquistado sob polêmica: no escândalo de manipulação de resultados que envolveu o árbitro Edílson Pereira de Carvalho, dois jogos do Corinthians apitados por este foram remarcados, e o clube faturou pontos que havia perdido – incluindo os da derrota de 2 x 4 para o Santos. Outro árbitro, Márcio Rezende de Freitas, também geraria controvérsias no confronto direto entre os dois clubes que disputavam o título, Corinthians x Internacional, ao não marcar pênalti sobre Tinga, que poderia dar a vitória aos colorados (a partida estava empatada em 1 x 1). A taça terminaria faturada com três pontos de diferença; se não houvesse as remarcações, os alvinegros ficariam um ponto atrás dos colorados, que seriam os campeões.


Alheio a tais fatores, Tévez sacramentou sua consagração. Marcou no total 20 gols, ficando em terceiro na artilharia (atrás de Romário, do Vasco da Gama, e de Róbson, do Paysandu), e por pouco não superando os 21 gols de Luizão, máximo artilheiro corintiano em uma única edição do torneio. Foi eleito ainda o melhor jogador do campeonato, faturando a Bola de Ouro da Revista Placar; ele foi apenas o quarto estrangeiro a receber a premiação.


“Foi instantâneo (ganhar o coração dos corintianos). Eles logo se deram conta de que vim para dar o máximo, que não pensava em me poupar. E me bancaram até a morte. (…) Eu me identifiquei muito com os corintianos. É gente humilde, sofrida, de bairros pobres. Igualzinho aos torcedores do Boca. Fico encantado que me vejam como um. Se o Corinthians não me quiser, eu não jogo mais no Brasil. Virei torcedor do Corinthians. Quando eu parar (de jogar), se o Corinthians enfrentar o Boca, terei de torcer por um empate.”