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Doutor Osmar conta história emocionante e de arrepiar

Danilo Vieira Andrade

Danilo Vieira Andrade

Sempre tenho contado histórias aqui. De todos os tipos. De toda gente. Mas histórias que envolvem torcedores me encantam mais. Hoje, respondendo a perguntas no site Tod0 Poderoso, recebi uma que indagava sobre isso. E prometi ao internauta que iria contá-la no blog. É o que faço agora.
Pacaembu. Corinthians x CRB. Primeiro jogo do Corinthians na série B,  maio de 2008.
Era a semana de aniversário de meu neto. Eu e um dos filhos, preparamos uma comemoração especial para o Bruno. Seus 12 colegas corintianos colegas de classe foram os convidados. Com antecipação comprei ingresso para o batalhão, no setor laranja, bem no meio de campo, ao lado das torcidas organizadas. Cansei de tirar fotos e dar autógrafos. Faz parte. E atendo a todos com respeito e compreensão. Faltando uns 10 minutos para começar o jogo, vejo um senhor idoso caminhando na minha fileira, dirigindo-se e olhando para mim. Devia ter mais de 70, pardo, magrinho, roupas simples e um boné branco. Estava um pouco ofegante. Pediu licança para minha neta e sentou-se ao meu lado. Cumprimentou Bruno e disse : “Dr. eu não quero foto nem autógrafo, mas queria que o senhor escutasse a minha história. Sou corintiano desde menino e moro em Guaratinguetá. Ano passado tive dois enfartes do coração e quase morri. Faz 20 dias, tive o terceiro. Um dia, eu estava na UTI, fechei os olhos e fiquei pensando na vida, na família, nos amigos e no Corinthians. Minha mulher sentada ao lado, pensou que eu estivesse dormindo. Entrou o caridologista e continuei de olhos fechados. Ele também pensou que eu estivesse dormindo e disse para minha mulher, que ia ser difícil escapar dessa, mas do próximo, eu morreria mesmo. Não abri os olhos para eles não se sentirem culpados por eu ter escutado aquilo. Mas melhorei, tive alta e hoje tomo uma porção de remédios. Mas sei que meu fim está próximo. Então pedi a meu cunhado ( e apontou o dedo para um senhor que estava um pouco abaixo e prestava atenção, sem poder ouvir, aquela conversa) que me trouxesse a este jogo. Sabe o que eu vim fazer aqui, doutor ?”
Eu não tinha resposta para aquela pergunta e ele concluiu :
“Vim me despedir do Corinthians, doutor ! ” Me deu um abraço e foi-se em passos curtos, alquebrado, pedindo licença às pssoas daquela fileira. Minha neta Giulia sentou-se e com o carinho de sempre, apertou minha mão e disse : ” Não vai chorar vô, que o jogo já vai começar.
Tenho as feições desse homem perfeitamente gravadas na minha memória. Seria capaz de reconhecê-lo num Pacaembu lotado. Sempre pensei muito nessa conversa e nunca poderia imaginar que alguém fosse se despedir do time que torce. Mas já tomei uma decisão. Um dia vou fazer a mesma coisa !

Fonte: Site Doutor Osmar

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