Andres minutos antes do acidente na Arena Corinthians (Foto: Eduardo Viana/ LANCE!Press) |
Andrés Sanchez concedeu entrevista ao Lancenet alguns minutos antes do acidente que matou dois operários na Arena Corinthians, na tarde do último dia 27 de novembro.
Nesta sexta-feira, exatamente um mês após a tragédia que adiou para abriu a entrega do palco de abertura da Copa 2014, o L!Net traz a primeira parte da conversa com o ex-presidente alvinegro, concedida a cerca de cem metros do local onde cairia o guindaste.
Por cerca de 40 minutos, Andrés falou sobre bastidores da arena e disse que precisou brigar para evitar que parte das obras fossem superfaturadas.
– Teve produtos nacionais que caíram mais de 100%. Eu fico fico triste como brasileiro – revelou.
ACOMPANHE:
O jogo de abertura terá Corinthians x Corinthians?
Essa é minha ideia, mas quem definirá isso é a diretoria.
O torcedor está assustado com o preço de ingresso que está sendo cobrado pelo país…
(Interrompendo) Isso é hipocrisia. Qual preço de ingresso? O preço médio não passa de R$ 50. Tem quem paga 2 mil, mas tem 50, com meia-entrada a 25 e sócio-torcedor tem 40% de desconto. Aqui, 40% ou 45% do estádio terá preço popular, R$ 40 para baixo…
Palmeiras e WTorre têm prolemas de relação, como Grêmio e OAS. Existe alguma chance de ter alguma surpresa ou algum erro no contrato com a Odebrecht?
Não. Não existe possibilidade. Erro pode haver, mas nada judicial. Corinthians e Odebrecht é um case, uma parceria para se estudar e repetir na vida pública.
O estádio não ficará ‘na mão’ da Odebrecht?
O estádio é 100% do clube. Tem o fundo imobiliário, que a Odebrecht é detentora, mas conforme as prestações forem pagas, as ações vão para o Corinthians. Quem vai administrar é o clube.
Enquanto o fundo for administrado pela Odebrecht, a arena será administrada pela Odebrecht, não?
É óbvio que até o Corinthians pagar, esse fundo que é específico para o estádio, só para ele, mais nada, é o detentor. Mas quem administra e quem contrata, é o clube. Fora isso, vai ter um Conselho, com duas pessoas do Corinthians, uma pessoa da Caixa e outra da Odebrecht, até o pagamento do financiamento.
Arena poderá receber eventos?
Eu não quero que use o gramado para show. O estádio tem o espaço no prédio Oeste que é para show, casamento, enterro. Gramado é futebol.
Mesmo com toda tecnologia para evitar problemas no gramado?
Não tem tecnologia suficiente.
Ter ficado fora da Libertadores muda os planos do estádio?
Pergunta para o presidente.
Mas você é o responsável pelo estádio. A pergunta é pela renda…
Você vai deixar de arrecadar com Libertadores, que é chamariz maior, mas para o estádio não tem diferença alguma. Temos que buscar essa falta de receita de outras maneiras.
E os preços dos camarotes?
Está definido o mínimo, que será de R$ 400 mil/ano. E temos três mil cadeiras cativas para alugar.
Vips terão estacionamento?
Depende. É que nem comprar carro: com ABS, ar, etc. Há camarotes crus e tem opcionais. Tem mais de três mil empresas cadastradas e mais de quatro mil para cadeiras.
Você teve problemas para negociar alguns produtos e serviços para o estádio, não? Dizem que o valor para compra de privadas, por exemplo, começou com 50x, mas caiu para 10x. Para a retirada dos dutos da Petrobras (que passavam pelo terreno do estádio), falava-se em R$ 30 milhões, mas saiu por bem menos…
8 milhões e 900 mil.
Essas negociações…
(Interrompendo) Eu fico até emocionado porque isso é triste como brasileiro.
Como assim?
Por um lado eu fico triste, porque eu imagino como é o resto… Ao mesmo tempo, contente porque conseguimos fazer aqui um case, um casamento tão perfeito entre o clube e a Odebrecht, que poderes públicos e empresas privadas vão estudar o que foi feito.
Onde mais se evitou perdas?
Teve produtos nacionais que caíram mais de 100%.
Com conversa?
Conversa não. Com briga.
Quanto você imagina ter economizado com essas brigas?
É difícil fazer esse cálculo porque a gente nunca foi… Mas foram mais de 100 milhões (de reais). Com certeza. Na briga, nas parcerias, mais de cem (milhões).
O que se ouve e se fala nessas conversas? Qual o argumento para baixar valores?
É um estádio privado. Se quiser ladrilho azul, ponho azul. Se quiser branco, ponho. Quem decide é o Corinthians e a Odebrecht. Então, os dois brigaram ao máximo para colocar o melhor possível por um valor menor possível.
O Governo injetará dinheiro para finalizar os estádios?
Olha… Se o estádio é privado, quem tem de injetar dinheiro é o privado. Se o estádio é público, quem tem de injetar dinheiro é o poder público. Ignorante é aquele que pensou que ia se fazer um estádio, sei lá, em Minas Gerais, que não fosse com dinheiro público. O estádio é público. No Mundo é assim, na Alemanha é assim…
Fonte: Lancenet