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‘Eu, Sócrates e Casagrande somos persona non grata no Corinthians’, diz Wladimir

Danilo Vieira Andrade

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Líder de um dos movimentos mais importantes da história do futebol brasileiro, a ‘Democracia Corintiana’, o ex-lateral esquerdo Wladimir, jogador com maior número de partidas com a camisa do Corinthians, está desiludido. Desiludido com o país – “no estado em que se configuram as coisas, eu diria que há um retrocesso” -, com a persistência do racismo – “Pelé mesmo foi um que não acreditava que existisse racismo aqui” – e com o futebol.

Nem mesmo o movimento Bom Senso empolga Wladimir. “Faltou conteúdo pro movimento. Eles estavam buscando melhor condição de trabalho, mas para uma elite.”

‘Democracia Corintiana’, diz o ídolo alvinegro, hoje é sinônimo de algo bastante diferente do que ele, Sócratés e Casagrande pregavam na década de 1980, no Parque São Jorge, com o fim da concentração entre os atletas e igualdade de importância entre roupeiros, jogadores e cartolas.

“O ex-presidente do Corinthians, o Andrés – Sanchez -, chegou a declarar que a democracia era o que ele impôs e não o que a gente viveu, porque ele levou uma moçada pra uma balada, jogadores do Corinthians, numa excursão que eles fizeram e ele disse que aquilo sim era democracia, não aquela que existiu. Somos persona non grata no Corinthians por conta desse movimento, eu, Sócrates e Casagrande.”

Wladimir, ex-lateral esquerdo e jogador com maior número de jogos pelo Corinthians | LUCAS BORGES/ESPN.COM.BR

Desiludido, mas não derrotado, Wladimir, hoje membro ativo do Sindicato dos Treinadores do Estado de São Paulo e assessor da prefeitura de São Sebastião, no Litoral Paulista, não perdeu a capacidade de questionar e de refletir sobre a realidade que o cerca.

Fonte: ESPN