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Cássio sonhava em lançar como Ceni. Agora está entre melhores do Brasileiro

Danilo Vieira Andrade

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Agilidade para se desvencilhar de um jogador do Bahia, rapidez para encontrar a defesa desprevenida e perfeição para colocar Malcom na cara do gol com um lançamento de 60 metros. Sorte, claro, afinal o tiro de meta só virou notícia porque o companheiro marcou.

A descrição diz respeito à assistência de Cássio para o gol de Malcom, o primeiro na vitória do Corinthians por 2 a 1 sobre o Bahia, no domingo, em Salvador. Autor do único passe para gol entre os goleiros titulares do Campeonato Brasileiro, o corintiano já perdeu o sono com as reposições.

No último ano, questionado sobre os erros nesse tipo de jogada, Cássio admitiu a dificuldade e certa inspiração no rival. “Estou falhando nisso, mas tenho que trabalhar cada vez mais. Não há muito segrego para acertar reposições. Precisa de muito treino. Quando eu era garoto, modéstia à parte, eu era bom nisso”, contou o goleiro do Corinthians na ocasião.

“O Rogério Ceni tem muito disso. Ele é o único goleiro que mais acerta do que erra lançamentos na Série A, mas não é à toa. Quando eu era garoto, eu o via treinando bastante isso. Sem contar personalidade e confiança que não faltam para ele”, admitiu Cássio em 2013.

Hoje, além de ser o único goleiro titular com assistência no Brasileiro, ele melhorou seus números na base de treinamentos. Segundo dados do Footstats, entre os 20 arqueiros que mais jogaram, Cássio é o oitavo que mais acerta passes e reposições. A liderança é de Rogério Ceni com 45%, mas o corintiano pode se vangloriar de seus 36,6%.

Preparador de goleiros que acompanha Cássio desde a chegada ao clube, Mauri afirma que os resultados são fruto da autocrítica e do esforço de seu pupilo nos treinamentos. “Ele tinha ciência dessa dificuldade e há algum tempo fazemos um trabalho incisivo na reposição, no trabalho com os pés. O tiro de meta não é só um chutão”, contou ao UOL Esporte.

“Na véspera dos jogos, fazemos um trabalho em separado com reposições e temos tido uma melhora significativa. Não podemos exceder para não ter alguma lesão, porque é uma batida forte na bola. São 10 a 12 repetições na véspera. Antes disso, temos condição de fazer mais”, acrescentou Mauri. Segundo o chefe, não foi difícil estimular o campeão mundial.

“Nós colocamos para ele que tudo já passou. Agora, a cada dia, tem uma batalha para se enfrentar e mais trabalho a se fazer. Não pode parar no tempo, há outros objetivos na vida”, diz Mauri. O recado dele é claro: ter uma oportunidade, de fato, na seleção brasileira.

“Ele tem qualidade e condições, com respeito aos outros goleiros. Vamos buscar esse objetivo”, avisou Mauri. Se depender da reposição de bola, Cássio já tem o caminho trilhado.

Fonte: UOL