Eufórico e alegre, Tite volta ao Timão: “Obrigado, obrigado e obrigado”

Danilo Vieira Andrade

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Há exatamente dois anos, em 16 de dezembro de 2012, o Corinthians chegava ao topo. O capitão Alessandro erguia a taça de campeão mundial de clubes e coroava uma era mágica. A maior estrela, talvez, estivesse no banco de reservas. Tite virou símbolo de um grupo operário e vencedor, capaz de apagar traumas, tirar a graça de velhas piadas sobre a Libertadores e fazer história. Aquele time se desfez, e o Timão saiu da rota das grandes conquistas. Tite também. Depois de um ano sabático à espera do convite que não veio para a seleção brasileira, chegou a hora de voltar ao trabalho. E na casa preferida.

Tite chegou ao CT Joaquim Grava antes das 9h. Como gosta de dizer, já está “pilhado” para reassumir a posição. Vai usar as próximas semanas para discutir com os dirigentes alguns nomes para reforçar o time, sobretudo o ataque. Às 12h, entrou na sala de imprensa. E logo de cara foi bem Tite, usando uma palavra recorrente em seu discurso: retomada.

– Bom dia! É um prazer estar de volta, e é diferente essa retomada. Obrigado, (Ronaldo) Ximenes (diretor de futebol), obrigado, Mário Gobbi (presidente). O mais importante é o Corinthians e sua torcida. Vamos ver se consigo ter capacidade para poder contribuir em mais uma etapa. Cada profissional passa por etapas e momentos importantes. Vamos fazer valer esse grande clube. Obrigado, obrigado e obrigado – declarou o técnico do Timão.

O treinador regressa em meio ao furacão. Em fevereiro, o Corinthians passará por eleições presidenciais com o grupo da situação rachado. Mário Gobbi, atual mandatário e com quem Tite se desentendeu no passado, e Roberto de Andrade, candidato favorito a vencer, não falam a mesma língua desde que o presidente decidiu demitir Tite para recontratar Mano Menezes.

– As diferenças são superadas porque somos seres humanos. Sou muito grato ao Dr. Mário Gobbi e a toda a direção. Todos os técnicos brasileiros gostariam de estar aqui. Se em algum momento acontece algo, temos capacidade para superar. A saída foi lá atrás

Para piorar, também em fevereiro, o técnico terá pela frente um obstáculo que conhece bem: a fase prévia da Taça Libertadores. O adversário ainda não está decidido, mas será colombiano, assim como o Tolima, que derrubou o Timão em 2011, gerou a revolta dos torcedores e fez Tite balançar no cargo.

Esta será a terceira passagem de Tite pelo Corinthians – as outras foram entre 2004 e 2005 e 2010 a 2013 -, o que o coloca como o segundo técnico que mais vezes dirigiu o Timão na história. São 272 partidas (131 vitórias, 86 empates e 55 derrotas), perdendo apenas para Oswaldo Brandão, com 435.

Tite chega para a entrevista coletiva ao lado de Ronaldo Ximenes (esquerda) e Edu Gaspar (direita) (Foto: Marcos Ribolli)

Confira abaixo os principais tópicos da coletiva:

Emerson Sheik

– Todos os atletas do clube são patrimônio e vão ser respeitados para trabalharem de forma igual. O Sheik junto com os outros todos. Ele é atleta do clube.

Comparação com Mano

– Tenho a dimensão exata da responsabilidade. Eu me preparei em termos educacionais e profissionais para isso. Tenho essa dimensão. Também tento evitar comparações. Meu respeito profissional ao Mano é muito grande. Cada um cria sua própria etapa e própria história. Comparações não levam a lugar algum.

Ausência de Mário Gobbi

– Sei que o Ronaldo Ximenes está representando a diretoria, das outras vezes foi assim também. É um momento importante de transição do clube, e estou sendo contratado com o aval do comando. Não tem absolutamente nada.

Sombra dos títulos

– A gente carrega a sombra daquilo que construiu a vida toda. Não sei se vou ter o mesmo êxito, mas vou ter a mesma conduta, até mais maduro, sem cometer os mesmos erros que cometi. Quero ser menos incompleto a cada dia que passa.

Período inicial de trabalho

– Intensidade é pau dentro. E a partir de agora ficar voltado ao nosso trabalho. Temos experiência em relação a essas situações. É sentar com o Edu (Gaspar, gerente de futebol) e ficar envolvido com todas as coisas, é ficar tomando café o quanto tempo for possível para redirecionar todas as situações. É um momento difícil. Primeiro é entrar em contato com todos eles e dizer o quanto é importante passar as férias se cuidando para voltar num processo bom de recondicionamento. Cuidado para não voltar machucado. Vontade de ganhar todo mundo tem. Mas vontade de preparar é o detalhe. Cada um recebe e vai conquistar na medida da preparação.

Elenco para 2015

– Vem da linha do processo de construção da equipe. Dos sete semestres que passei aqui sempre teve reformulação. Foi assim ano passado também. É natural essa troca, oxigenação, para que a equipe cresça. Isso não depende do técnico.

Paolo Guerrero

– Guerrero é do clube, tem vínculo com o clube, tem contrato até julho. Ele tá conosco. Comigo ele tem todo simbolismo, momento importante, como Liedson teve. Cada um tem a sua história.

Fonte: Globo Esporte