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Tráfico, violência e prisão; conheça “rival sensação” do Corinthians

Danilo Vieira Andrade

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Tijuana promete ser adversário mais difícil do Corinthians
na fase de grupos da Libertadores Foto: AFP

Não é apenas a punição imposta pela Conmebol que assusta o Corinthians, privado pela entidade de atuar diante de seus torcedores em partidas pela Copa Libertadores. A equipe alvinegra não poderá jogar com presença de corintianos nem nesta quarta-feira, no México, justamente naquele que deve ser seu duelo mais temível pela etapa de grupos do torneio continental. Contra o Tijuana, o campeão do mundo terá pela frente um histórico de tráfico, violência e até prisão, que rodeiam o clube e o município homônimo.

Time sensação do México em 2012, o Club Tijuana Xoloitzcuintles De Caliente entrou na Libertadores como uma incógnita aos rivais sul-americanos. Entretanto, com um histórico notável no Estádio Caliente e após dois jogos no torneio continental, mostrou a que veio e promete dar trabalho. São duas vitórias – 1 a 0 contra o Millonarios, na Colômbia, e 4 a 0 contra o San José, em casa – que credenciam a equipe como uma das favoritas da chave que também tem o Corinthians como adversário. 

Mas quem é, na realidade, o Club Tijuana? A pergunta ainda parece não ter resposta e será a principal preocupação do técnico Tite para o confronto desta quarta-feira. O que se sabe, contudo, é que os apenas seis anos de existência da equipe são meteóricos. Não só isso: o histórico violento da cidade de Tijuana e o passado sombrio da família Hank, fundadora e dona do clube, são ingredientes a mais que transformam o clube mexicano em um dos mais temidos do país. Confira, a seguir.

Estádio Caliente e invencibilidade 

Para começar, o principal trunfo dos Xolos – como é popularmente conhecido o Tijuana – é seu Estádio, o Caliente. Com capacidade para 33.333 pessoas (o 33 é o número da sorte do fundador, Jorge Hank Rhon), o ‘caldeirão’ virou mítico desde que foi criado. A começar pela grama artificial, um desafio a a mais aos visitantes. Sua estrutura é de primeira linha. Todos os lugares acomodam as pessoas em confortáveis bancos, além de 162 camarotes, estacionamentos marcados e 16 suítes privativas.

Mais do que conforto e luxo, a casa do Tijuana é folclórica. Em pouco tempo, o clube atingiu resultados expressivos diante de sua fanática torcida e mostrou aos gigantes mexicanos que veio para ficar. Na campanha do título do Apertura Mexicano 2012, por exemplo, a equipe não perdeu nenhum jogo em seus domínios – foram sete vitórias e quatro empates – e manteve a invencibilidade até o mês passado, quando sucumbiu por 2 a 1 para o América, não sem antes vencer outras duas.

Ascensão, projetos na base e elenco violento

A ascensão histórica do Tijuana também é considerável. Em seis anos de fundação, foram títulos, na sequência, da terceira, segunda e primeira divisão mexicana que podem ser explicados pelos trabalhos nas categorias de base do clube. O projeto ‘Forças Básicas’ colocou equipes em torneios nacionais sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20, com participações em competições internacionais e excursões. O Centro de Iniciação Xolitzcuintles possui mais de 500 inscritos nas escolinhas infantis e abriu filiais em todo o México.

Já na equipe profissional, o clube é liderado pelo treinador argentino Antonio Mohamed, o ‘xodó’ do presidente. Os destaques são o experiente zagueiro Aguilar, o meio-campista Fernando Arce e os atacantes Riascos, autor de oito gols no título mexicano, e Fidel Martínez, que tem sido o principal nome do time nesta Libertadores. E existe um adendo: o Tijuana levou 50 cartões amarelos e três vermelhos no Mexicano e foi o lanterna do Fair Play, sendo considerado o mais violento da Liga. A catimba é usada principalmente nas partidas em casa.

Família Hank: poder e prisão

Mas nem só de ascensão e vitórias vive o Tijuana. Além da estrutura e dos bons trabalhos dentro de campo, a agremiação tem um lado obscuro e sombrio, instalado no passado de seus donos. A família Hank, chefiada por Jorge Hank Rhon, fundador do clube e milionário mexicano, tem um histórico sombrio, com acusações estranhas, violência, lavagem de dinheiro e suposta ligação ao crime organizado.

Em junho de 2011, por exemplo, 100 soldados do exército mexicano invadiram sua casa e apreenderam um arsenal com 40 fuzis, 48 pistolas e nove mil cartuchos de munição, que seriam endereçados supostamente ao narcotráfico. Algumas das armas, inclusive, estariam ligadas a assassinatos ocorridos pelas redondezas. Entretanto, Jorge Hank passou apenas alguns dias na cadeia e acabou liberado pela Justiça. Seu envolvimento em homicídios, aliás, é antigo – desde o fim dos anos 80, quando estaria ligado à morte de um jornalista e ao crime organizado.

Ex-prefeito de Tijuana, o homem forte do clube e pai do atual presidente – Jorge Alberto Hank Inzunsa, de apenas 28 anos – é considerado poderoso e perigoso no país, pois possui fortes ligações políticas e com as altas esferas da sociedade local. Investigado também nos Estados Unidos, Jorge já viu seu chofer pessoal ser preso por contrabandear 57 kg de cocaina e foi ligado a crimes envolvendo organizações colombianas de narcotráfico e lavagem de dinheiro. Em contrapartida, nada foi comprovado.

Cidade de Tijuana, narcotráfico, mortes e violência

O time brasileiro ainda terá outros desafios em sua passagem por Tijuana. A começar pela cidade, conhecida como ‘esquina do México’. Localizado na fronteira dos Estados Unidos, o município é passagem de imigrantes ilegais e sua localização considerada privilegiada para os fugitivos, motivo pelo qual Tijuana sofre com o tráfico de drogas internacional. As armas de fogo são outro problema. Mais de 100 mil pessoas morreram nos últimos seis anos na cidade apenas por brigas entre narcotraficantes regionais. O Corinthians, portanto, não deve ter vida fácil.

Fonte: Terra