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Pai Nosso, R$ 87 para Conmebol e suspense no portão 23: os bastidores da vitória do Corinthians em dia sem torcida

Danilo Vieira Andrade

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Elenco do Corinthians e grupo de 4 torcedores cantam
o Hino Nacional antes da partida com o Millionarios
  EFE

Fim de jogo no Pacaembu, com vitória do Corinthians por 2 a 0 sobre o Millonarios-COL, nesta quarta-feira, pela Libertadores, e os torcedores que compareceram às imediações do estádio rezam a oração “Pai Nosso”, seguida por uma salva de palmas.

É o final de um dia que ficará gravado como um dos mais tristes da história do clube brasileiro e também um dos mais curiosos.

Ao contrário de 36 mil torcedores, somente quatro tiveram a oportunidade de acompanhar o segundo jogo alvinegro pela fase de grupos do torneio sul-americano. Sem a tradicional movimentação que antecede as partidas, o Pacaembu acabou acompanhando ontem a cenas raras vezes vistas em dias de jogo, como pessoas correndo em volta do estádio, a ausência de ambulantes e estações de metrô às moscas nos minutos que antecederam o encontro.

“Essa foi a dispersão mais rápida que fizemos num jogo”, brincou um oficial da polícia militar.

Os membros da cavalaria do órgão foram responsáveis pela maior distração nas primeiras horas do pré-jogo, contornando as redondezas do palco diversas vezes e amenizando com seus cavalos um silêncio só ignorado no acesso da imprensa. A Conmebol atrasou a entrega da lista de credenciamento aos membros da organização e, para o protesto dos veículos da comunicação, retardou em mais de uma hora a entrada dos profissionais no Pacaembu.

Depois de resolvido o problema, deu-se início a uma série de especulações sobre o portão de chegada dos seis torcedores que conseguiram durante a quarta-feira uma liminar para acompanhar a partida.

Não foram eles, no entanto, os encarregados por recepcionar o ônibus que carregou a delegação do Corinthians até o estádio. Outros dois fanáticos acabaram sendo os responsáveis por saudar os atletas em seu desembarque. Logo em seguida, enfim, chegou ao portão 23 o carro com quatro torcedores, e não mais seis – dois deles desistiram antes -, que tentariam entrar no estádio.

Ainda assustados com a repercussão da iniciativa, eles se dirigiram para o interior do Pacaembu incertos sobre a sequência do plano e foram levados alguns minutos depois para uma sala localizada ao lado do portão de entrada, acompanhados do diretor jurídico alvinegro, Luiz Alberto Bussab, e do advogado do clube, Luiz Felipe Santoro. Seguiram ali por mais de 20 minutos, gerando um clima de suspense interrompido a cada esboço de saída da sala.

Ao fim do mistério, o advogado Armando Teixeira, responsável pela ação e por falar na vinda ao estádio, confirmou o que todos esperavam: “vamos entrar”.

Foi exclusiva para os quatro felizardos a saudação dos jogadores do Corinthians antes do início do jogo. Os gritos de apoio ao time foram responsabilidade deles e também do presidente do clube, Mario Gobbi e sua comitiva, sentada um pouco acima do quarteto da ação judicial na numerada do Estádio Municipal.

Os torcedores, Gobbi e demais membros da diretoria corintiana fizeram bastante barulho na hora do gol de Guerrero, o primeiro dos 2 a 0 sobre o Millonarios-COL. Os colombianos presentes do lado de fora do campo não conseguiram comemorar um gol e nem poderiam. Ainda no primeiro tempo cinco jornalistas colombianos foram repreendidos por funcionários do Pacaembu ao comemorar uma defesa do goleiro visitante.

Paralelamente à correria atrás dos torcedores corintianos, um grupo de colombianos se aprontava para deixar a praça Charles Miller, decepcionados com a não permissão para acompanhar o Millonarios-COL após mais de 10 dias e até um mês no caso de alguns membros de viagem pela América do Sul. À reportagem do ESPN.com.br, chegaram a pedir uma contribuição financeira.

Não foram eles nem tampouco os cerca de 100 torcedores que se reuniram atrás de uma das duas barreiras montadas pela polícia militar para apoiar o Corinthians à distância os responsáveis por contribuir para a renda de R$ 870, que, de acordo com o que rege o regulamento da competição, teve 10% de seu total ou R$ 87 direcionado à Conmebol.

Mas, sim, o quarteto da torcida que ganhou um aceno do atacante Alexandre Pato após o segundo gol alvinegro que praticamente sacramentou a vitória numa noite em que a Fiel orou por dias melhores.


Fonte: ESPN