Juan Román Riquelme foi o último jogador a descer do ônibus do Boca Juniors no Aeroporto de Guarulhos após o jogo no Pacaembu. O volume da cumbia que emanava da caixa de som segurada pelo camisa 10 ainda era alto, suficiente para que todos dentro do veículo ouvissem. Parado por fãs brasileiros e argentinos, ele atravessou o saguão vagarosamente. E desligou o aparelho para conceder uma entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.net já na madrugada de quinta-feira.
Na bagagem, Riquelme levava rumo à Argentina uma camiseta do volante Paulinho para atender ao pedido do filho Agustín. Autor do gol que eliminou o atual campeão mundial e da Libertadores, o meia ainda tratou de defender Cássio após o empate por 1 a 1. “O Corinthians tem um grandíssimo goleiro. É muito jovem e já mostrou sua qualidade na final contra o Chelsea”, absolveu.
De volta ao Boca Juniors após cinco meses de inatividade, ele conta ter passado a enxergar os próprios feitos de maneira diferente. Ainda assim, mantém o costume de incluir a palavra “sorte” nas respostas de forma indiscriminada. Sob o comando de Carlos Bianchi, o carrasco dos times brasileiros já faz contas e pensa na possibilidade de disputar sua quinta final de Libertadores.
Questionado sobre a performance do juiz paraguaio Carlos Amarilla, criticado intensamente pelos corintianos após o duelo, ele limitou-se a comentar a atuação da própria equipe. Diplomático, “dividiu” o status de campeão mundial de 2000 com o Corinthians e disse torcer pela volta à elite do Palmeiras, clube que chegou perto de anunciar sua contratação.
Veja logo abaixo a entrevista completa:
Riquelme – (Risos) A maioria dos jogadores gosta do mesmo tipo de música (cumbia) e agora estamos todos muito contentes. Isso é parte da nossa intimidade dentro do vestiário e na concentração. Todo o voo até Buenos Aires vai ter música. Pedimos perdão às pessoas que vão querer dormir, mas esse é um dia de muita alegria e acho que vão ficar todos acordados.
Riquelme – Muita tranquilidade e alegria por saber que fizemos as coisas bem, que conseguimos nos classificar diante de uma grande equipe em um estádio muito importante e lotado. Isso nos dá muita força para o que resta do campeonato.
Riquelme – (Risos) Sim, sim. A verdade é que estou desfrutando de cada dia. Depois da final da Libertadores do ano passado contra o Corinthians, fiquei cinco meses sem jogar e agora outra vez tenho a sorte de estar no meu clube, de jogar com a camiseta que eu quero. Estou tendo uma alegria muito grande e bem tranquilo.
Riquelme – Sempre tenho a esperança de jogar bem. Eu me sinto bem dentro do campo e hoje desfrutei muito. É um dia de muita alegria para mim, para a equipe e para toda a torcida do nosso clube, já que ganhamos do último campeão continental.
Riquelme – Eu simplesmente gosto de jogar futebol, desfruto de jogar bola. Eu penso que no Brasil e na Argentina estão os melhores jogadores e você se sente bem competindo com os melhores. Tenho sorte de que no Brasil me tratam bem e de que as coisas tenham saído da melhor maneira na maioria das vezes. Agora, por exemplo, tivemos a sorte de poder avançar e deixar um grande time, como o Corinthians, pelo caminho.
Riquelme – O Paulinho jogou muito bem. O meu filho Agustín vai ficar contente, porque estou levando de presente para ele a camiseta do Paulinho que ele me pediu antes de eu viajar. Acompanhamos a final do Campeonato Paulista juntos no domingo e o Paulinho foi fantástico contra o Santos, sem dúvida o melhor do jogo. Ele é o coração do Corinthians. Por isso, meu filho pediu a camiseta do Paulinho e tive a sorte de poder cumprir esse desejo dele.
Riquelme – Não, não. O Corinthians tem um grandíssimo goleiro. É muito jovem e já mostrou sua qualidade na final do Mundial de Clubes contra o Chelsea. O título mundial conquistado pelo Corinthians tem muito a ver com o Cássio. Apenas tivemos a sorte de marcar nele o gol que nos serviu para conseguir a classificação.
Riquelme – Antes do jogo, eu disse a meus companheiros que chutaria para o gol em todas as faltas. Estava claro para eles que eu chutaria todas e tive a sorte de que uma delas entrou.
Riquelme – Conseguimos nos classificar, era o que desejávamos. Fizemos um primeiro tempo muito bom, uma vez que marcamos o gol e tivemos outra situação clara com o Blandi que o goleiro defendeu muito bem. Na segunda etapa, sabíamos que o Corinthians arriscaria muito mais. Eles têm jogadores muito bons e colocaram o Pato, um atleta de muita categoria. Sofremos um pouco, mas no final conseguimos avançar.
Riquelme – (Risos) Os dois! Nós vivemos um momento incrível há muitos anos e eles também. O campeão é o campeão. O Corinthians foi campeão e o Boca também. Acho que esse Mundial se jogou aqui no Brasil, não? Já nós tivemos a sorte de ganhar do Real Madrid no Japão. Então, terminamos todos muito contentes.
Riquelme – Não sei como é aqui no Brasil, mas na Argentina muitos jogos terminam com violência e isso não é muito agradável. Todos precisam saber que é uma festa, um espetáculo. Os jogadores sempre tentam jogar o melhor possível, mas podemos ganhar ou perder. Os torcedores devem ir ao estádio para se divertir, mas na Argentina é difícil entender isso, porque todos são muito fanáticos e vivem o futebol de uma maneira muito forte. Às vezes, quando o time não ganha, alguns se tornam muito agressivos. O que espero e desejo é que meu país mude muito, porque às vezes se machucam demais.
Riquelme – (Risos) O treinador que tenho gosta muito de mim, tem muito carinho por mim e eu também gosto muito dele. Estamos muito contentes. No meu país, se vive o futebol de uma maneira muito especial. Estão todos os dias falando de futebol e acho que no Brasil é muito parecido. Eu respeito todas as opiniões de todos os jornalistas e torcedores.
Riquelme – A verdade é que podemos dizer que estamos muito contentes nesse momento, porque as coisas estão indo muito bem. Temos a esperança de que nossa equipe esteja na final. Confiamos muito no nosso técnico e ele confia nos jogadores. Vamos dar tudo que temos para disputar todos os 14 jogos da Copa Libertadores. Nosso treinador é o maior da história do clube, é o maior ídolo como técnico e todos os torcedores estamos contentes de contar com ele.
Riquelme – Passamos do oitavo jogo na competição. Agora vêm o nono e o décimo. São 14 partidas para chegar ao título. Vamos enfrentar o Newell’s, outro time argentino que está jogando bem. Confiamos no que temos e espero que possamos avançar.
Riquelme – Sim.
Riquelme – Não, não. Eu sou muito grato ao Palmeiras por ter se interessado em mim. Desejo o melhor ao clube e espero que em dezembro já possa estar de volta à Primeira Divisão.
Riquelme – O técnico do Fluminense (Abel Braga) me ligou várias vezes para que eu jogasse a Libertadores pelo clube. Sou muito grato a ele e aproveito para mandar um abraço muito grande. O fato de que equipes de um país tão importante como o Brasil tenham se lembrado do meu futebol me proporcionou momentos lindos.
Riquelme – Eu tenho contrato com meu clube até junho de 2014. Vou desfrutar a cada dia de cada treino, de cada partida e em junho de 2014 veremos o que fazer. Se eu tiver vontade de continuar jogando um pouco mais, vou fazê-lo. Se não, veremos qual vai ser minha escolha.
Riquelme – Tenho as coisas muito claras. Tomei uma decisão muito importante de voltar ao meu clube, de estar com as pessoas que quero, com os meus torcedores. Colocar a camisa do Boca para mim é algo muito lindo e espero dar mais alguma alegria a todos os torcedores do Boca.