O Corinthians confirmou a melhor campanha do Paulistão com o empate, em 1 a 1, diante do Santos, mas se desgastou muito para conquistar o efeito. Também líder de seu grupo na Libertadores, o grupo comandado por Tite chega às finais do Estadual muito perto de “estourar”, o que faz com que o treinador implore “humanamente” por descanso
– Há a necessidade de eles descansarem, eles precisam humanamente de descanso. Na quarta-feira (contra o XV de Piracicaba), queremos jogar bem, mas para aqueles que vêm jogando há mais tempo é vital uma paradinha, senão estoura – disse o treinador, projetando o time para a última rodada da primeira fase.
O treinador relembrou os momentos mais delicados do elenco neste início de temporada: as competições simultâneas, as decisões já na primeira fase da Libertadores e a semana em que atuou quatro vezes pelo Campeonato Paulista.
– Nós temos uma situação atípica, pois viemos de uma sequência com jogos de decisão da Libertadores e quatro compromissos em uma semana pelo Paulista. Repito, não é desculpa para a queda de rendimento, pois teve a qualidade do Santos, que passou por uma semana limpa, se preparando – explicou o treinador.
A qualidade do adversário, aliás, foi bastante exaltada por Tite. Ao falar sobre o segundo tempo corintiano, no qual a equipe sofreu o gol de empate e viu o Santos ter o domínio do confronto.
– No segundo tempo, fomos caindo em termos físicos e o Santos cresceu pelas modificações que fez, pela qualidade e mobilidade dos jogadores que entraram. Assim acabamos tomando o gol de empate – completou o treinador do Timão.
Confira a entrevista coletiva de Tite:
ANÁLISE DO TIME
Foi um grande jogo, as duas equipes tem soluções individuais por causa da qualidade técnica, isso foi um fator marcante. Fizemos um grande primeiro tempo, Vladimir foi muito feliz. No segundo, fomos caindo em termos físicos, o Santos cresceu pelas modificações que fez, pela qualidade e mobilidade dos jogadores que entraram, E acabamos tomando o gol de empate, Bom para equipe sob o aspecto de saber que a equipe terá que absorver um gol de empate em jogos decisivos. A equipe se irritou demais nos primeiros cinco minutos e depois normalizou. A bola dá e a bola tira, se contra o San Lorenzo poderia ser empate, hoje nós poderíamos ter vencido.
QUEDA DE RENDIMENTO
A qualidade do Santos é um fator importante a ser levantado. Depois disso, o nosso time foi caindo. A minha intenção era dizer no intervalo a eles para diminuírem o ritmo e alternar a posse de bola, mas a gente vinha de uma sequência muito dura.
SEQUÊNCIA
Nós temos uma situação atípica, pois viemos de uma sequência com jogos de decisão da Libertadores e quatro compromissos em uma semana pelo Paulista. Repito, não é desculpa para a queda de rendimento, pois teve a qualidade do Santos, que passou por uma semana limpa, se preparando.
DIFICULDADES NO CLÁSSICO
O principal é a qualidade individual do adversário, pois você tem o Lucas Lima, o Elano, o Geuvânio, todos com muita qualidade. Você tem uma série de opções. Eu ficava falando com minha comissão: “eu tenho que ajudar minha equipe, porque ela está carente”. De repente, o Jadson descoordenou, o Renato também. O Guerrero também foi muito visado, está com o tornozelo recebendo gelo.
CAMPEÃO PAULISTA?
Uma equipe se forma vencedora ao passar por dificuldades, hoje, por exemplo, a gente absorveu um gol de empate, é uma maturidade que precisa ter, a equipe se irritou por cinco minutos após o gol, e isso não pode. Ela vai se formando. Não dá para afirmar absolutamente nada, o que queremos é manter apresentando este futebol que foi mostrado até agora.
DESCANSO
Há necessidade de eles descansarem, precisam humanamente de descanso, os que mais jogaram. Na quarta-feira (contra o XV de Piracicaba), queremos jogar bem, mas para aqueles que vêm jogando há mais tempo é vital uma paradinha, senão estoura.
DEMOROU PARA MUDAR?
Poderia ter mudado antes, mas há duas óticas. Havia um equilíbrio, e entrar em um jogo frio, sem ter normalidade de função poderia prejudicar. Apostei na coordenação da equipe, no entrosamento dela. A outra é que estava com dificuldade de ver quem estava mais cansado, por isso chamei o Fábio (Mahseredjian, preparador físico). Estava com dificuldade de ver quem estava com essa necessidade. Apostei então na estrutura da equipe para não cair demais. Eu vi equilíbrio no segundo tempo, por isso apostei. Como eu tinha essa variação, deixei a coordenação da equipe. Outro detalhe, não tinha um armador no banco. Você descansa com a posse de bola, se eu tenho outro armador para ficar com a bola, eu coloco ele no jogo.
ZAGA FALHOU?
Quando a zaga toma gol de bola aérea teve a qualidade do cruzamento, da finalização, da armação da jogada, não vi deficiência neste aspecto, mas respeito a observação.
MÉRITOS DO VLADIMIR
O Corinthians fez um grande primeiro tempo e o Vladimir foi o grande nome do Santos. Duas ou três vezes eu estava vibrando, em uma pareceu Rodolfo Rodríguez. O Futebol é assim, tem que saber administrar essas situações. Não sei o número de lances em que acertamos no gol, mas foi muito mais o goleiro do que previsão.
PREOCUPAÇÃO NAS FINAIS
A preocupação nossa é repetir o padrão quarta-feira, porque acredito que é um grupo que faz forte, e não apenas onze jogadores. Fizemos a melhor campanha rodando todo elenco, com Libertadores no meio, e isso é considerável. Especificamente é na qualidade da equipe adversária. Um time é bom porque tem jogadores bons. Tem o estádio, que ajuda, mas precisa ter qualidade. Essa qualidade das outras equipes é preciso enaltecer, como a equipe do Santos hoje. Agora vai ficar só quem é grande, só quem tem qualidade. Essa vai ser a dificuldade maior.
PONTE NAS QUARTAS
A Ponte é um time muito bem dirigido, já trabalhei com o Guto, sei das suas virtudes. A partir do momento que definiu isso, a gente está acompanhando mais de perto.
Fonte: Globo Esporte