O levantamento de hoje do É o Time do Povo relembra cinco vezes em que o Corinthians escapou do rebaixamento por pouco. Listamos ocasiões em que o momento era difícil, muitos achavam que a queda era inevitável, mas o Timão conseguiu reverter a situação.
O especial de hoje leva em conta apenas o Campeonato Brasileiro. Vamos voltar ao tempo para contar cinco vezes em que o Corinthians escapou do rebaixamento, zona incômoda que briga contra em 2026. Nessas ocasiões, o time precisou da superação dos jogadores na técnica, na tática e na raça, e do apoio total da torcida nos jogos decisivos para ficar na Série A.
Há momentos em que tudo parece conspirar contra, mas é necessário ter calma e olhar para trás. A história do Coringão mostra que o alvinegro paulista não desiste mesmo diante de crises, dificuldades financeiras, extracampo e até fase ruim técnica dos elencos.
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1997
Em 1997, o Corinthians foi campeão paulista em cima do São Paulo e fazia um Campeonato Brasileiro mediano. O ídolo Marcelinho foi vendido para o Valencia da Espanha no meio do ano e o time começou a cair na tabela. Após crise interna, o técnico Nelsinho Baptista, que conquistou o Paulista, pediu demissão, e Joel Santana assumiu, em agosto. Em 15 jogos no comando, perdeu nove vezes.
Em outubro, o Timão perdeu em casa para o Paraná, enterrando qualquer chance de classificação para o mata-mata do Brasileiro (até a oitava posição) e agravando a crise e pressão da torcida que foi cobrar os jogadores após a derrota. O jogo seguinte era um clássico na Vila Belmiro. Com dois expulsos, o Timão perdeu por 1 a 0. Salários atrasados e racha no elenco pioravam a situação.
Depois da derrota, Rincón e Mirandinha brigaram após o colombiano cobrar o atacante do Timão que foi um dos expulsos. Mas o pior estava por vir: na volta para a Capital, na Imigrantes, o ônibus do Coringão sofreu uma emboscada de torcedores, que apedrejaram o veículo e cobraram jogadores. Neto, que tinha acabado de voltar ao Corinthians, disse que teve medo de morrer.
Na rodada seguinte, o Timão perdeu fora para o Cruzeiro. Depois enfrentou o Fluminense no Rio, que também estava na luta contra o rebaixamento, e foi derrotado outra vez por 1 a 0. O resultado causou a demissão de Joel Santana. Candinho foi contratado para comandar o Coringão nos três jogos que restavam do Brasileiro com uma missão: evitar o rebaixamento e deixar o time depois.
O primeiro jogo era em casa, contra o Sport. E o placar se repetiu: a quinta derrota seguida por 1 a 0. Faltavam duas partidas. A primeira delas era novamente no Pacaembu, mas o adversário era mais forte: o Flamengo. Foi quando a sorte começou a virar. O Timão venceu o jogo por 1 a 0, o primeiro gol de Edilson com o manto alvinegro, e enfim deixou a zona do rebaixamento.
Mas ainda faltava um jogo, fora de casa, contra o Goiás. Era preciso vencer para evitar qualquer chance de queda. E foi dito e feito. Mirandinha e Célio Silva fizeram os gols da salvação corinthiana. O elenco que tinha, além dos já citados acima, de Edilson e Rincón, o goleiro Ronaldo, o zagueiro Antônio Carlos, o lateral Sylvinho, o meia Souza e o atacante Donizete.
Candinho cumpriu sua missão e utilizou do emocional para a reta final: nos dois últimos jogos o time do Corinthians era recebido com o Tema da Vitória, música usada após as vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1. Na temporada seguinte, em 1998, Luxemburgo se tornou o técnico, Marcelinho voltou e o Corinthians conquistaria o seu segundo Campeonato Brasileiro.
2006
Um ano após a conquista do quinto Campeonato Brasileiro, na era MSI de Tévez e Nilmar, o Corinthians entrou 2026 com expectativas altas pela até então inédita Libertadores. O ano começou turbulento e o técnico Antônio Lopes pediu demissão em março, após tropeços na fase de grupos da Libertadores e derrota para o São Paulo no Paulista. Na época, Lopes alegou que estava em crise com parte do elenco e que a demissão ia tirar a pressão da diretoria de futebol do Timão e de Kia e da MSI.
Ademar Braga foi efetivado como técnico. Com forte elenco que tinha Mascherano, Ricardinho, Roger, Tévez e Nilmar, o Corinthians foi apenas o 6° no Estadual, mas avançou para a segunda fase da Libertadores, mas parou nas oitavas eliminado em casa pelo River Plate. O jogo entrou para a história após a torcida invadir o campo e destruir o estádio, com confronto de torcedores com a polícia.
O Timão começou o Brasileiro alargando a crise: três derrotas em cinco jogos, uma delas para o São Paulo. Geninho foi contratado e assumiu com vitória contra o Vasco fora, mas depois o time emendou três derrotas seguidas. Na 9ª rodada, após perder em casa para o Goiás, o então atual campeão da competição entrava na zona de rebaixamento.
Na sequência, vieram derrotas para o Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras. O time teve um respiro ao empatar com o Fortaleza, mas Geninho não resistiu após o Corinthians perder em casa para o Figueirense e pediu demissão, alegando que não foi capaz de fazer a equipe render como gostaria. Em 16 jogos, o Timão havia perdido 11 e chegava à lanterna do Brasileirão.
Emerson Leão foi contratado para ser o treinador em agosto e começou com duas vitórias em cima de Fluminense e Botafogo, o último jogo de Tévez pelo Corinthians (o argentino saiu após briga com o técnico). Após dois tropeços, o Corinthians voltou a ganhar batendo o São Caetano e a então líder Ponte Preta, em jogo que o Todo Poderoso da zona de rebaixamento pela primeira vez. Vitória de 1 a 0 com gol de Marcelo Mattos de pênalti.
Nas sete rodadas seguintes, o alvinegro paulista voltou a oscilar, com três derrotas, uma delas em casa para o Santos por 3 a 0, e apenas uma vitória. A sequência jogou o Timão de volta para a zona de rebaixamento. Leão levou o elenco para treinar em Jarinu, interior paulista, em espécie de reclusão para focar na recuperação e funcionou. Na sequência vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro com gol de Renato. O Timão trouxe nomes experientes para ajudar na temporada como o volante Magrão e o atacante Amoroso.
A vitória tirou o Todo Poderoso da zona de rebaixamento, mas o jogo que fica marcado é o seguinte, contra o Palmeiras, em nova vitória do gigante de Itaquera. Outra vez 1 a 0, outra vez gol de Marcelo Mattos. O triunfo a sete rodadas do fim da competição trouxe paz para o elenco e a garantia de que a permanência na Série A estava garantida. O Timão emendou mais 4 vitórias e 3 empates e terminou o Brasileirão em 9°, em uma bela arrancada de 9 jogos sem perder na reta final, subindo seis posições.
2018
O Timão entrou em 2018 em alta: com Fábio Carrile no comando, o Coringão havia surpreendido o país ao vencer o Paulista e o Brasileiro de 2017. Nomes importantes como Guilherme Arana e Jô deixaram o clube, mas o retorno dos ídolos Ralf e Sheik. Carrile achou o melhor time sem centroavante e o Corinthians conquistou o bicampeonato Estadual nos pênaltis, na casa do Palmeiras.
O desmanche maior ocorre em junho quando Carrile aceita proposta do futebol árabe e deixa o Todo Poderoso. Além disso, pilares do time como o zagueiro Balbuena, o volante Maycon e o meia Rodriguinho foram vendidos. Osmar Loss assumiu o comando e a temporada desandou de vez. Primeiro com a eliminação para o Colo-Colo nas oitavas da Libertadores, no fim de agosto.
Mesmo com a permanência de nomes como Cássio, Fagner, Jadson, Romero e Claysson, Loss também perdeu jogos no Brasileirão. O time caiu na tabela e Jair Ventura assumiu em setembro. O meia Pedrinho ganhou mais espaço e ajudou o Corinthians a chegar na final da Copa do Brasil, conquistada pelo Cruzeiro após gol anulado do jovem corinthiano de forma polêmica.
O Corinthians chegou no fim de outubro em péssima fase, vindo de cinco derrotas consecutivas, se aproximava do Z4 e enfrentaria um adversário direto na briga contra a queda: o Vitória, em Itaquera. O Timão abriu 2 a 1 mas tomou o empate nos acréscimos. O returno do time era péssimo e preocupava. A última vitória em casa tinha sido em agosto.
No jogo seguinte, Danilo saiu do banco para garantir vitória importantíssima por 2 a 1 contra o Bahia, também em casa. Mas na partida seguinte o Corinthians perdeu fora para o Botafogo por 1 a 0 e voltou a ficar em alerta. Um empate no clássico com o São Paulo em casa por 1 a 1 e nova derrota para o Cruzeiro por 1 a 0 colocaram o Timão em risco real a quatro rodadas do fim.
No clássico, Araos foi expulso no primeiro tempo e mesmo assim Ralf abriu o placar, mas o rival descontou pouco depois. Contra o Cruzeiro, outra expulsão, de Douglas Augusto. O Timão seguia fora da zona de rebaixamento, mas a apenas três pontos de cair. O antipenúltimo jogo foi contra o Vasco, adversário direto na briga contra a queda. Mateus Vital fez o gol da vitória do Timão.
O triunfo contra o Vasco praticamente sacramentou a permanência na Série A. Porém, na rodada seguinte, o Coringão visitou o Athletico Paranaense e perdeu por 1 a 0. Na penúltima rodada, contra a Chapecoense em casa, conseguiu escapar matematicamente graças a empate sem gols. Mesmo sem passar uma rodada no Z4, o susto foi suficiente: Jair Ventura foi demitido um dia após o fim do campeonato e Carrile acertou o retorno ao Coringão. No ano seguinte, em 2019, ele conquistaria o tricampeonato Paulista.
2020
O Corinthians inicia 2020 com Thiago Nunes no comando em uma temporada marcada pela pandemia. Com Luan como o principal contratado da nova era do clube, o Timão perde na pré-Libertadores para o Guarani do Paraguai e depois a final do Paulista para o Palmeiras nos pênaltis. Após começo ruim no Brasileiro e derrota em casa para o Palmeiras, Nunes foi demitido, na 9ª rodada.
Dyego Coelho, campeão Brasileiro como jogador pelo Timão, assumiu o comando de forma interina. Cinco rodadas depois, o Corinthians estava na zona de rebaixamento, com 15 pontos em 15 jogos. Em outubro, Vágner Mancini foi contratado para ser o treinador do Corinthians com a missão de tirar a equipe do Z4, já vacinado com o susto de 2018.
É um caso de luta contra a queda um pouco mais cedo, mas que poderia ter azedado mais pra frente, ainda mais com a ausência de público por conta das medidas contra o Coronavírus. Mancini estreia com vitória fora de casa contra o Athletico Paranaense por 1 a 0 que já tira a equipe da zona de rebaixamento. Bruno Mendéz é expulso e complica o jogo, mas Everaldo faz gol nos acréscimos.
Na rodada seguinte, o Timão sofreu goleada do Flamengo, em casa: 5 a 1. Mas depois se recupera com vitória de virada fora contra o Vasco por 2 a 1, novamente com gol nos acréscimos de Everaldo. Em seguida, o Coringão bateu o Inter, mas empatou com Atlético Goianiense e perdeu para o Atlético Mineiro, o que reacendeu alerta para a chance do time, que tinha elenco modesto, despencar.
Depois, o Todo Poderoso engrenou sequência de oito rodadas sem perder, subiu de vez na tabela e afastou totalmente as chances de queda. Empatou com Grêmio e Fortaleza e bateu na sequência Coritiba, São Paulo, Goiás e Botafogo até voltar a perder, novamente para o Palmeiras, por 4 a 0. Outra vez, reagiu rapidamente: 5 a 0 contra o Fluminense para evitar cair na tabela. Mancini colocou a equipe na 12ª colocação, garantindo a vaga na Copa Sul-Americana para o ano seguinte.
2024
O ano de 2024 começou difícil para o Corinthians dentro e fora de campo. Com Mano Menezes, que estava desde o fim do ano anterior, o time não engrenou e emendou cinco derrotas seguidas no Paulista. Custou o cargo dele e a classificação para o mata-mata do Estadual. O português Antônio Oliveira assumiu em período de novo presidente, polêmicas extracampo e crise financeira.
Antônio Oliveira deixou o cargo com apenas uma vitória em 13 jogos no Brasileirão, deixando o Timão em penúltimo depois de derrota para o Palmeiras. O Coringão fecha então com Ramon Díaz, que estreia vencendo o Vitória em casa, mas perde duas seguidas após. O Timão vence o Criciúma em casa e ao derrotar o Bahia fora com gol de Romero, sai do Z4 pela primeira vez.
Entretanto, a equipe volta a oscilar e conquista apenas 2 vitórias nos 11 jogos seguintes do Brasileiro, além de ter que dividir as atenções conforme avançava na Copa do Brasil e na Sul-Americana, voltando para a zona do rebaixamento. Após perder para o São Paulo e empatar em casa com o Inter, o Timão acende sinal de alerta.
O jogo seguinte era contra o Atlhetico Paranense e ficou marcado por dois fatores: o primeiro gol de Memphis Depay pelo Corinthians, em cobrança de falta, no terceiro jogo do holandês pelo clube e o início de arrancada histórica. Um sonoro 5 a 2 dava início ao auge de Ramon Díaz como treinador do Corinthians e tirou a equipe do Z4 pela última vez naquele ano.
Ainda era outubro, mas dali pra frente, só vitórias: 9 seguidas. O oponente seguinte foi o Cuiabá e depois o Palmeiras, em clássico marcado por vitória contundente do Timão por 2 a 0, com gols de Garro e Yuri Alberto.
O Coringão ainda venceu Vitória, Cruzeiro, Vasco, Criciúma, Bahia e Grêmio, tendo a maior sequência positiva da história do clube no Brasileirão. Com grande atuação de Garro, Memphis e Yuri Alberto, Bidon, Carrillo, Matheuzinho, Matheus Bidu e companhia, o Timão terminou em oitavo e em alta na temporada. Em 2025, com Díaz, seria campeão do Paulista e da Copa do Brasil com Dorival.










