Start » Club news » Pai Nosso, R$ 87 para Conmebol e suspense no portão 23: os bastidores da vitória do Corinthians em dia sem torcida

Pai Nosso, R$ 87 para Conmebol e suspense no portão 23: os bastidores da vitória do Corinthians em dia sem torcida

Danilo Vieira Andrade

FOLLOW PEOPLE'S TIME IN WHATSAP'S CANAL

News from Corinthians straight into your WhatsApp in real time.

WhatsApp Enter Channel
 photo 622_28891bcd-457b-3b2c-aa7d-3cab71ff92dd_zps1821becb.jpg
Elenco do Corinthians e grupo de 4 torcedores cantam
o Hino Nacional antes da partida com o Millionarios
  EFE

Fim de jogo no Pacaembu, com vitória do Corinthians por 2 a 0 sobre o Millonarios-COL, nesta quarta-feira, pela Libertadores, e os torcedores que compareceram às imediações do estádio rezam a oração “Pai Nosso”, seguida por uma salva de palmas.

É o final de um dia que ficará gravado como um dos mais tristes da história do clube brasileiro e também um dos mais curiosos.

Ao contrário de 36 mil torcedores, somente quatro tiveram a oportunidade de acompanhar o segundo jogo alvinegro pela fase de grupos do torneio sul-americano. Sem a tradicional movimentação que antecede as partidas, o Pacaembu acabou acompanhando ontem a cenas raras vezes vistas em dias de jogo, como pessoas correndo em volta do estádio, a ausência de ambulantes e estações de metrô às moscas nos minutos que antecederam o encontro.

“Essa foi a dispersão mais rápida que fizemos num jogo”, brincou um oficial da polícia militar.

Os membros da cavalaria do órgão foram responsáveis pela maior distração nas primeiras horas do pré-jogo, contornando as redondezas do palco diversas vezes e amenizando com seus cavalos um silêncio só ignorado no acesso da imprensa. A Conmebol atrasou a entrega da lista de credenciamento aos membros da organização e, para o protesto dos veículos da comunicação, retardou em mais de uma hora a entrada dos profissionais no Pacaembu.

Depois de resolvido o problema, deu-se início a uma série de especulações sobre o portão de chegada dos seis torcedores que conseguiram durante a quarta-feira uma liminar para acompanhar a partida.

Não foram eles, no entanto, os encarregados por recepcionar o ônibus que carregou a delegação do Corinthians até o estádio. Outros dois fanáticos acabaram sendo os responsáveis por saudar os atletas em seu desembarque. Logo em seguida, enfim, chegou ao portão 23 o carro com quatro torcedores, e não mais seis – dois deles desistiram antes -, que tentariam entrar no estádio.

Ainda assustados com a repercussão da iniciativa, eles se dirigiram para o interior do Pacaembu incertos sobre a sequência do plano e foram levados alguns minutos depois para uma sala localizada ao lado do portão de entrada, acompanhados do diretor jurídico alvinegro, Luiz Alberto Bussab, e do advogado do clube, Luiz Felipe Santoro. Seguiram ali por mais de 20 minutos, gerando um clima de suspense interrompido a cada esboço de saída da sala.

Ao fim do mistério, o advogado Armando Teixeira, responsável pela ação e por falar na vinda ao estádio, confirmou o que todos esperavam: “vamos entrar”.

Foi exclusiva para os quatro felizardos a saudação dos jogadores do Corinthians antes do início do jogo. Os gritos de apoio ao time foram responsabilidade deles e também do presidente do clube, Mario Gobbi e sua comitiva, sentada um pouco acima do quarteto da ação judicial na numerada do Estádio Municipal.

Os torcedores, Gobbi e demais membros da diretoria corintiana fizeram bastante barulho na hora do gol de Guerrero, o primeiro dos 2 a 0 sobre o Millonarios-COL. Os colombianos presentes do lado de fora do campo não conseguiram comemorar um gol e nem poderiam. Ainda no primeiro tempo cinco jornalistas colombianos foram repreendidos por funcionários do Pacaembu ao comemorar uma defesa do goleiro visitante.

Paralelamente à correria atrás dos torcedores corintianos, um grupo de colombianos se aprontava para deixar a praça Charles Miller, decepcionados com a não permissão para acompanhar o Millonarios-COL após mais de 10 dias e até um mês no caso de alguns membros de viagem pela América do Sul. À reportagem do ESPN.com.br, chegaram a pedir uma contribuição financeira.

Não foram eles nem tampouco os cerca de 100 torcedores que se reuniram atrás de uma das duas barreiras montadas pela polícia militar para apoiar o Corinthians à distância os responsáveis por contribuir para a renda de R$ 870, que, de acordo com o que rege o regulamento da competição, teve 10% de seu total ou R$ 87 direcionado à Conmebol.

Mas, sim, o quarteto da torcida que ganhou um aceno do atacante Alexandre Pato após o segundo gol alvinegro que praticamente sacramentou a vitória numa noite em que a Fiel orou por dias melhores.


Source: ESP N