Os Gaviões da Fiel, escola que ficou na terceira colocação no Carnaval 2025, será a quarta agremiação a desfilar no segundo dia de carnaval no Anhembi, em São Paulo.
Para o Carnaval de 2026, a Gaviões da Fiel apresenta o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, desenvolvido pelos carnavalescos Rayner Pereira e Júlio Poloni. A escola leva para o Anhembi um manifesto político e poético que exalta a resistência dos povos indígenas brasileiros, utilizando a cosmologia yanomami e a lenda da Yakoana para narrar a história sob a ótica dos povos originários. O desfile é dividido entre a celebração da floresta imaculada — o chamado “tempo do sonho” — e a denúncia da invasão e da exploração predatória, representada pela figura do Xawara (o monstro da destruição e das doenças trazidas pelo homem branco).
O enredo foca na urgência de “reflorestar o pensamento” para garantir um futuro sustentável, reafirmando que, enquanto houver povos indígenas, haverá guardiões para a floresta e para o amanhã. A agremiação conecta a ancestralidade à luta contemporânea pelo marco temporal e pela preservação ambiental, transformando o Sambódromo em um ritual de resistência. Com este tema, a Gaviões busca seu quinto título no Grupo Especial, reforçando sua identidade histórica de defesa das causas sociais e de justiça, agora voltada para a soberania indígena e a proteção da natureza.
Ficha técnica do desfile 2026
- Data e Ordem: Sábado de Carnaval (14 de fevereiro), sendo a 4ª escola a desfilar.
- Enredo: “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã” (focado na resistência indígena).
- Carnavalescos: Júlio Poloni e Rayner Pereira (dupla renovada após o 3º lugar de 2025).
- Intérprete: Ernesto Teixeira. Em 2026, ele completa 41 anos ininterruptos como a voz oficial da Gaviões (recorde de longevidade no Carnaval).
- Mestre de Bateria: Mestre Ciro, liderando a bateria “Ritimão”.
- Rainha de Bateria: Sabrina Sato.
- Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Wagner Araújo e Carolline Barbosa.
Curiosidades do Enredo
- Inspiração: O enredo usa a lenda yanomami da Yakoana e a figura de Omama (o criador) para falar de preservação.
- Vilão do Desfile: O Xawara (o monstro das doenças e da destruição trazida pelo homem branco/garimpo) será uma figura central nas alegorias.
- Slogan do Samba: “O marco do futuro é Pindorama!” — uma clara alusão à luta contra o Marco Temporal das terras indígenas.
- Refrão Principal: “Yandê, Yandê, vai tremer a terra / Eu sou de paz, mas tô pronto pra guerra!” (Promessa de ser o “grito de guerra” da arquibancada).
A LETRA DO SAMBA-ENREDO DOS GAVIÕES:
Yandê, Yandê, vai tremer a terra
Eu sou de paz, mas tô pronto pra guerra
Flecha que aponta novas direções
Tenho lado nessa luta, sou Gaviões!
(Sou Gaviões)
Yakoana
Me revela Xapiri
Um caminho a reluzir
Entre as matas um brilho de estrelas
Tudo parecia sonho
No leito risonho da mãe natureza
Onde o rio beijou o chão
Eu plantei uma nação
Que no amanhã renascerá
Pois Omama desenhou
Um dia, semente, no outro, a flor
Sou Tapajó, Cariri, Caeté
Um Potiguar, Tupi, Canindé
A voz da resistência, a lança ancestral
No peito do Brasil colonial (eu sou, eu sou)
Xawara devora o sonho e a mata padece
Mas eu sou a voz que conhece
O segredo das nossas raízes
Encantar é luz pra vencer cicatrizes
Mãe hostil
Só uma vez, escute os filhos deste solo
A quem foi negado teu colo
Pra ser Guajupiá de quem te ama
É hora de reflorestar o pensamento
Quem sabe o sonho volte como vento
O marco do futuro é Pindorama!
Yandê, Yandê, vai tremer a terra
Eu sou de paz, mas tô pronto pra guerra
Flecha que aponta novas direções
Tenho lado nessa luta, sou Gaviões!
(Sou Gaviões)
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