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Alugar a Arena ou não? Eis a questão!

Roberto Zanin

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Com muita honra, depois de alguns anos escrevendo em outro site alvinegro, retorno à ativa. Agradeço ao É o Time do Povo pela confiança na independência do meu trabalho. Não tenho relação nenhuma com a situação ou com a oposição do Corinthians, o que garante uma escrita livre de amarras.

Começando. As redes sociais fizeram brotar o fenômeno dos torcedores profissionais. O camarada torce para determinado time e monta um canal para falar sobre. Nessa onda, muitos jornalistas saíram (ou foram “saídos”) da mídia tradicional e se aventuraram em carreira solo.

O fenômeno faz com que a maioria das perguntas nas coletivas sejam “doces”. O torcedor, que ia ao jogo de arquibancada e tendo que pagar o ingresso, se vê agora como um “vip”, lado a lado com repórteres experientes. Nesse sonho transformado em realidade, o fã com microfone na mão não quer causar problemas para não perder a boquinha.

A outra face da moeda é a do jornalista que tem alguns desses canais. Muitos, na ânsia de se distanciar da imagem de torcedor, exageram na pose de isentões e no papel de ditar regras aos demais, reles torcedores.

Pois bem.

Muitos torcedores-jornalistas defenderam que o Corinthians não alugasse o estádio para o Santos.

Muitos jornalistas-torcedores bancaram a fada sensata e defenderam a locação, na linha “o clube está quebrado, não pode abrir mão do dinheiro, etc.”

Minha opinião como jornalista formado e torcedor (incon) formado é que JAMAIS deveríamos alugar a sacrossanta Neo Química Arena. Ainda mais para o Santos. Sim, aquele time cujo torcedor invadiu o campo para agredir o Cássio (e em jogos anteriores soltaram rojões na direção dele). Sim, aquele time que sempre gostou de fazer negócios com São Paulo e Palmeiras, mas que faz do ódio ao Corinthians boa parte da razão do seu existir.

Mas alugaram a Neo Química. E, surpresa zero, os descontos sobre a renda bruta foram muitos. Sobrou um valor líquido, a meu ver, quase insignificante para o clube.

E, surpresa zero de novo, depredaram nossa casa, picharam mentiras (arena “do governo”?!) e cantaram louvores a um jogador condenado por estupro.

E pior: xingaram os corinthianos de “galinha preta”, termo duplamente preconceituoso.

Mas diante disso, os jornalistas politicamente corretos iriam defender o Corinthians, certo? Errado!

Os caras queriam que o Timão alugasse o estádio de novo. A vítima se tornou a culpada. “Intolerância”, “medo de ter o recorde de púbico quebrado de novo”, e outras baboseiras, foram ditas pelos ressentidos de sempre.

Tenho saudades dos tempos em que ganhávamos títulos no Morumbi e me recordo que até no antigo Parque Antártica o Corinthians jogou como mandante. Mas, infelizmente, os tempos são outros. E quem começou tudo isso não foi o Corinthians. Foi o SPFC que em 2008 elevou o preço do aluguel do Morumbi às alturas e, no mesmo ano, descumpriu um acordo e reduziu a carga de ingressos alvinegros no Majestoso.

Finalizo lembrando que a postura do torcedor perante a pesada dívida do clube não deve ser de vira-lata. Apesar da situação atual, o Corinthians é gigante. E nessa hora uma dose de altivez e de amor-próprio vai bem.

Não insista no erro, Augusto!