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Palmeirense, Mauro Beting faz texto sensacional sobre fase do Corinthians

Danilo Vieira Andrade

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Teria sido sem graça ganhar um título sem estar em campo? Só para quem não deverá ser hexa.

Teria sido bastante corintiano o título que deve ser conquistado antes da hora por também ser muito corintiano festejar o Corinthians sem estar em campo. O corintiano não precisa de vitória para celebrar. Só precisa de Corinthians. Pode parecer mesquinho para os outros, onanista, até. Mas isso é Corinthians para quem de fato importa – o corintiano. Basta existir.

O fiel não precisa de jogo, de estádio, de adversário, de futebol, de campeonato, de gol, de vitória, de título. O corintiano precisa do Corinthians para ser feliz. Parece precisar apenas de outro corintiano para fazer festa. Ele se encontra pela rua e confraterniza como se visse um dos tantos craques em 105 anos ou um dos tantos Idários de todas as idades, ou um sujeito simples como o Ezequiel de toda a fiel. Ele confraterniza como estava já com o engradado cheio como o peito para gritar hexa até o Galo fazer o que muito bem tem feito desde 2013: desmoralizar o inacreditável.

Foi assim desde o pênalti de Riascos, no Horto, na Libertadores-13. Foi assim nas viradas contra Corinthians, Flamengo e nas vitórias contra o rival bicampeão brasileiro na conquista da Copa do Brasil-14.

O Galo não deverá ser campeão. Mas faz campanha que, em outros anos, poderia dar em título. Os 63% de aproveitamento do Atlético Mineiro seriam campeões em 2009 contra o Flamengo (59%), Fluminense de 2010 (62%) e Corinthians de 2011 (62%). O modo como foi buscar a vitória fora de casa contra o Figueirense, no fim, e mais uma defesa sensacional de Victor no final animam qualquer um. Ainda mais um torcedor apaixonado e impressionante como o atleticano – que também rima com o corintiano.

No começo do jogo em Floripa, só dava Figueirense. Se Leonardo não fosse “desexpulso” corretamente pelo incorreto (e humilde árbitro ao reconhecer o erro absurdo), talvez o hexa tivesse pintado mesmo antes da hora, depois da apertada vitória do ansioso Corinthians contra o Coritiba. Como Victor não deixaria empatar em um milagre no mano a mano contra Carlos Alberto (tetra pelo Timão em 2005), como ainda impediria aquele gol de empate e do título paulista no tiro de Celsinho, no fim.

O Atlético ainda pode atrapalhar a vida corintiana se mantiver o mesmo sangue frio do belo gol de Dátolo, em troca de bola precisa e, possível dizer, paciente dos homens de frente. Mas apenas isso, se sabe no futebol e na matemática, não pode garantir mais uma virada heroica e histórica. Mais uma desmoralização do impossível.

É que do outro lado tem um time muito bom. Ainda melhor em tudo que o Galo (erros de arbitragem passados incluídos na conta). Timão que, de fato, tem vencido quase todos. Até a enorme torcida rival. Quem não é Corinthians não é indiferente ao Corinthians. Não tem café com leite. É preto e branco, preto no branco, contra branco e contra preto. Quem não é Corinthians não gosta dele. Não tolera corintiano. É anti assumido. E, neste campeonato, foi ainda mais anti. Gostou ainda menos do Corinthians, com razão, ou com muita emoção.

É preconceito? Desprezo? Despeito? Receio? Medo? Raiva? Inveja? Ciúme?

Como pode um time tão amado ser tão odiado?

Talvez por ser algo além do amor que o corintiano tem. Repito: mais que ter amor pelo Timão, o fiel têm Corinthians pelo Corinthians.

Deve ser isso. Ele Corinthians o Corinthians.

Um substantivo que é verbo. Adjetivo. É tudo. Resume todos.

É mais que amor. É Corinthians.

Eles são mesmo um bando de loucos. Por isso que outro bando não os quer pela frente. E muito menos tão à frente na tabela.

Fonte: Lancenet